As organizações portuguesas signatárias do Acordo de Transparência sobre Investigação Animal continuam a reforçar o seu compromisso com a abertura e o envolvimento da sociedade, de acordo com o mais recente relatório anual de avaliação, que analisa as atividades desenvolvidas durante 2025.
O sexto relatório anual do Acordo de Transparência sobre Investigação Animal em Portugal, apoiado pela European Animal Research Association (EARA), inclui as respostas das 29 organizações signatárias. Embora o número total de signatários tenha diminuído em uma organização devido à fusão de dois institutos de investigação, que deu origem ao Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular (GIMM), o relatório demonstra que as práticas de transparência estão hoje firmemente enraizadas nas instituições portuguesas, assinalando a transição de uma fase de crescimento para uma fase de consolidação.
Entre os principais destaques de 2025 encontram-se:
- 93% dos signatários continuam a disponibilizar uma declaração pública de posicionamento sobre a utilização de animais para fins científicos nos seus websites.
- 83% utilizam as redes sociais para comunicar de forma proativa sobre investigação com animais, recorrendo a plataformas como Facebook, Instagram, LinkedIn, YouTube e Bluesky.
- 23 organizações publicaram notícias sobre descobertas científicas que envolveram investigação com animais.
- 18 organizações organizaram cursos ou workshops sobre investigação animal e os princípios dos 3Rs, enquanto 16 promoveram eventos públicos dedicados a esta temática.
- 22 instituições organizaram visitas aos seus biotérios para colaboradores, 20 receberam diversos grupos, 14 acolheram estudantes de outras instituições e 13 participaram em dias abertos.
- 15 organizações concederam entrevistas sobre investigação com animais, 12 participaram em painéis de discussão públicos, 10 emitiram declarações para os meios de comunicação social e sete receberam jornalistas nos seus biotérios.
O relatório evidencia igualmente uma melhoria contínua na qualidade da comunicação. Muitas organizações reportaram a implementação de estratégias formais de comunicação, um maior envolvimento dos gabinetes de comunicação institucionais, a criação de newsletters e o desenvolvimento de conteúdos digitais mais estruturados, demonstrando que a transparência está cada vez mais integrada na cultura organizacional.
Apesar dos progressos alcançados, subsistem alguns desafios:
- Apenas sete organizações divulgam publicamente dados estatísticos detalhados sobre o número e as espécies de animais utilizados na investigação.
- A limitação de recursos humanos, de tempo e de financiamento continua a condicionar o desenvolvimento de novas iniciativas de transparência.
- A complexidade organizacional, os processos administrativos e as reestruturações institucionais continuam a constituir obstáculos para algumas organizações signatárias.
Um dos principais marcos de 2025 foi a realização da segunda Semana Aberta Portuguesa sobre Investigação com Animais (2 a 5 de dezembro), durante a qual instituições de todo o país organizaram visitas a laboratórios e biotérios, debates públicos, iniciativas nas redes sociais, podcasts e diversas atividades de divulgação. A iniciativa incluiu também o envolvimento de associações de doentes, colaboradores universitários e familiares, contribuindo para reforçar o diálogo entre investigadores e sociedade. A terceira edição desta iniciativa decorreu este mês, entre os dias 5 e 10 de julho de 2026.
O ano ficou ainda marcado pela criação da primeira identidade visual oficial do Acordo de Transparência sobre Investigação Animal em Portugal. O novo logótipo, representando uma porta aberta e um murganho nas cores da bandeira portuguesa, simboliza o compromisso do Acordo com a abertura, a acessibilidade e uma comunicação responsável.

Novo logótipo do Acordo de Transparência sobre Investigação Animal em Portugal
Os representantes portugueses partilharam também a experiência nacional a nível internacional, apresentando o percurso de Portugal em matéria de transparência no Congresso FELASA 2025, em Atenas, e participando na EARA Conference 2025, em Berlim, reforçando o reconhecimento de Portugal como um dos exemplos europeus de referência na promoção da abertura sobre a investigação com animais.
Para mais informações, contacte Inês Serrenho (iserrenho@eara.eu).
Este comunicado de imprensa também está disponível em inglês.
